It: A Coisa
Stephen King Publicado em 1986
★★★★★ o terror que ensinou uma geração a desconfiar de bueiros
Terror
Sobrenatural
Amizade e infância
Clássico do gênero
Sete crianças, uma cidadezinha do Maine e um mal que acorda a cada geração. Em It: A Coisa, Stephen King transforma o medo de infância no maior pesadelo da vida adulta.
Sobre o que é o livro
Derry, no Maine, é uma cidade pacata na superfície. Em 1957, um menino chamado Georgie sai de casa para brincar na chuva com um barquinho de papel e não volta. Um ano depois, no verão de 1958, um grupo de crianças começa a ver coisas que não deveriam existir: um palhaço, uma múmia, um leproso. Elas se tornam amigas e descobrem que todas viram, com formas diferentes, a mesma criatura, um ser antigo e maligno que se alimenta do medo e pode assumir o rosto do que cada um mais teme.
Bill, Beverly, Eddie, Ben, Richie, Mike e Stan formam o Clube dos Otários, um grupo de párias que se reúne para fugir de valentões, de pais difíceis e da própria solidão. Juntos, enfrentam a Coisa pela primeira vez, e o que fazem naquele verão marca todos para sempre. Quase três décadas depois, Mike, o único que ficou em Derry, percebe que o terror voltou e liga para cada um dos antigos amigos. Eles prometeram que voltariam, e agora precisam cumprir a promessa. O romance alterna as duas épocas, a infância e a vida adulta, e vai revelando aos poucos o que realmente aconteceu e o que a cidade esconde.
Avaliação de It: A Coisa
O que faz de It: A Coisa um clássico é que o monstro é apenas metade da história. A outra metade é a amizade, e King a escreve com um carinho raro no gênero. O leitor se apega às crianças, às piadas internas, aos medos de cada uma, e por isso o perigo pesa. Também funciona muito bem a escolha de contar a história em dois tempos: a infância é cheia de aventura e dor, e a idade adulta traz a pergunta de quanto a gente esquece, e do que a gente carrega sem lembrar.
Derry é quase um personagem. Entre os capítulos principais, King insere interlúdios com a história sombria da cidade, mostrando que o mal não aparece do nada: ele se alimenta da indiferença de quem prefere não ver. Por isso o livro é, ao mesmo tempo, uma história de monstros e um retrato de preconceito, violência e silêncio. É longo, e há momentos em que o ritmo desacelera, mas quem se entrega costuma sair achando que a viagem valeu cada página.
Para quem é: fãs de terror que gostam de histórias profundas, leitores que se emocionam com amizade e com a nostalgia da infância, e quem já assistiu aos filmes e quer a versão completa. É um livro para ler sem pressa, de preferência com a luz acesa.
Mais do que um palhaço, o grande monstro do livro é o medo de crescer sozinho, e a coragem de enfrentá-lo juntos.
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