A coragem de não agradar: Como a filosofia pode ajudar você a se libertar da opinião dos outros, superar suas limitações e se tornar a pessoa que deseja

Ichiro Kishimi e Fumitake Koga Publicado em 2013 no Japão · Edição brasileira: Sextante

★★★★☆ Nota 4,5/5 · Psicologia adleriana e filosofia prática
Psicologia Filosofia Prática Desenvolvimento Pessoal Autoconhecimento
Capa do livro A coragem de não agradar, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga

Sobre o que é o livro

O livro apresenta as ideias de Alfred Adler (1870-1937), médico e psicoterapeuta austríaco que fez parte do círculo de Freud antes de romper com ele e criar a chamada psicologia individual. Em vez de um ensaio, os autores escolheram o diálogo: ao longo de cinco noites, um jovem inquieto e cheio de mágoas visita um filósofo que afirma que qualquer pessoa pode mudar e ser feliz a partir de hoje.

A conversa gira em torno de ideias pouco confortáveis. A primeira é que o passado não determina quem somos: para Adler, agimos em função de objetivos no presente, e não empurrados por traumas antigos. Daí saem os outros temas do livro, como a separação de tarefas (saber o que é problema seu e o que é problema do outro), a recusa em viver em busca de reconhecimento e o sentimento de comunidade, que Adler via como base de uma vida saudável.

Nossa resenha

O formato de diálogo é o grande acerto. O jovem levanta exatamente as objeções que o leitor faria, muitas vezes com raiva, e isso obriga o filósofo a defender cada ideia em vez de só enunciá-la. A leitura anda rápido, e várias passagens cutucam hábitos que a gente nem percebe, como usar o passado de desculpa ou medir o próprio valor pela aprovação dos outros.

A separação de tarefas é o conceito que mais fica depois da leitura. Entender que a opinião de alguém sobre você é assunto dessa pessoa, e não seu, alivia muito quem vive tentando agradar. A libertação é real, embora o livro às vezes faça parecer mais simples de praticar do que é.

Há pontos fracos. O jovem muda de posição de um jeito teatral, indo da revolta à iluminação em poucas páginas. E a afirmação de que o trauma não determina nada, repetida com tanta firmeza, soa reducionista diante de casos de violência grave ou de quadros que pedem tratamento. Como provocação filosófica, o livro funciona muito bem. Como resposta para todo tipo de sofrimento, não.

Para quem é: quem se sente preso às expectativas alheias, tem dificuldade de dizer não ou vive remoendo o passado. Também serve como boa introdução a Adler, bem menos conhecido do que Freud e Jung. Quem procura acolhimento para dores antigas, ou um passo a passo prático, pode se frustrar com o tom direto e filosófico.

Ser livre, nessa visão, inclui aceitar que algumas pessoas não vão gostar de você, e seguir em frente mesmo assim.

Uma porta de entrada acessível para a psicologia de Adler.

Ver A Coragem de Não Agradar na Amazon → Ao comprar pelo link acima, você apoia o nosso trabalho sem pagar nada a mais por isso.

Quem são Ichiro Kishimi e Fumitake Koga?

Retrato de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, autores de A Coragem de Não Agradar

Ichiro Kishimi nasceu em Quioto, em 1956. Formou-se em filosofia ocidental, com foco no pensamento grego clássico e em Platão, e encontrou na psicologia de Adler ideias muito próximas das que estudava. Tornou-se um dos principais divulgadores de Adler no Japão, com traduções, livros próprios e trabalho como conselheiro.

Fumitake Koga, nascido em 1973, é escritor e editor de livros de não ficção. Ele conta que leu uma obra de Kishimi sobre Adler ainda jovem e ficou tão marcado pela leitura que, anos depois, procurou o filósofo para propor a parceria.

O resultado virou fenômeno editorial primeiro no Japão e na Coreia do Sul e depois no resto do mundo, com milhões de exemplares vendidos. Em 2016 a dupla lançou a continuação, A coragem de ser feliz.

OrigemJapão
FormaçãoFilosofia (Kishimi) e escrita editorial (Koga)
MarcoLevaram Adler ao grande público
Marca registradaDiálogo entre um filósofo e um jovem

Outro livro de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga

Capa do livro A coragem de ser feliz, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga 2016 · A continuação direta

A coragem de ser feliz

Três anos depois, o jovem volta à casa do filósofo, agora como professor, frustrado por não conseguir aplicar as ideias de Adler na sala de aula. O livro aprofunda temas como respeito, educação, amor e a diferença entre querer ser feliz e querer ser especial.

Para quem terminou o primeiro e ficou com a pergunta: e na prática?

Ver na Amazon → Compra pelo link apoia o site, sem custo extra para você.

5 curiosidades sobre o livro e os autores

  1. O título original japonês, Kirawareru Yūki, significa algo como "a coragem de ser detestado".
  2. Em 2017, a rede japonesa Fuji TV exibiu uma série policial inspirada no livro, com uma detetive que segue as ideias de Adler.
  3. Adler fez parte do grupo de Freud em Viena até 1911, quando rompeu com ele por discordar do peso dado aos impulsos sexuais e ao passado.
  4. A expressão "complexo de inferioridade", tema de uma das noites do diálogo, está ligada justamente à obra de Adler.
  5. Os dois personagens nunca recebem nome: são apenas o filósofo e o jovem.

Leve A Coragem de Não Agradar para a sua estante

Uma porta de entrada acessível para a psicologia de Adler.

Ver A Coragem de Não Agradar na Amazon → Ao comprar pelo link, você apoia o nosso trabalho sem pagar nada a mais por isso.

Outras resenhas para a sua estante