Mulherzinhas: edição comentada e ilustrada (Clássicos Zahar)

Louisa May Alcott Publicado em 1868–1869 · edição Zahar de 2019

★★★★☆ Um marco do romance de formação
Romance de formação Clássico Ficção doméstica Zahar · trad. Bruno Gambarotto
Capa do livro Mulherzinhas, edição comentada e ilustrada da Zahar, de Louisa May Alcott

Sobre o que é o livro

O romance começa no Natal de 1861, em Massachusetts. Meg, Jo, Beth e Amy March passam as festas sem o pai, que serve como capelão na Guerra Civil americana. Com pouco dinheiro, mas criadas num ambiente de estímulo moral e intelectual, as quatro irmãs têm temperamentos bem diferentes: Meg sonha com conforto, Jo quer ser escritora, Beth é tímida e caseira, e Amy quer ser artista e subir socialmente.

A história acompanha a passagem das irmãs da adolescência à vida adulta, entre peças de teatro encenadas em casa, a amizade com o vizinho Laurie, as primeiras escolhas profissionais e amorosas e as perdas pelo caminho. Publicado em duas partes, em 1868 e 1869, o livro expõe a negociação constante entre os desejos das garotas e as convenções da sociedade do século XIX. A edição da Zahar traz o texto integral das duas partes.

Nossa resenha

A força de Mulherzinhas está em construir quatro protagonistas com personalidade própria, sem cair em estereótipos. Jo March é o centro da história: sua recusa em aceitar os papéis reservados às mulheres e a ambição de viver da escrita fizeram dela uma das personagens femininas mais influentes da literatura. Alcott amarra o cotidiano das irmãs a referências como O Peregrino, de John Bunyan, que serve de roteiro para as brincadeiras e os dilemas morais da primeira parte.

O romance tem, porém, um tom edificante que às vezes desacelera a leitura. O esforço contínuo de autocorreção moral das personagens reflete os valores da época e pode cansar o leitor atual, sobretudo na segunda parte, em que o dever e a resignação abafam um pouco a vivacidade do início.

A edição da Zahar é um bom motivo para escolher esta versão: tradução de Bruno Gambarotto, capa dura, centenas de notas, apresentação, cronologia de vida e obra da autora e cerca de 130 ilustrações de Frank T. Merrill. As notas ajudam a situar o livro no ambiente abolicionista e feminista em que Alcott cresceu.

Para quem é: quem gosta de clássicos, romances de época e histórias de formação, e para quem viu o filme de Greta Gerwig (2019) e quer conhecer o texto completo. Quem prefere narrativas ágeis ou se incomoda com o tom moralizante do século XIX pode achar o ritmo lento.

Crescer, para as irmãs March, é aprender a escolher entre o que desejam e o que se espera delas.

Uma edição caprichada, com notas e ilustrações, para ler e guardar.

Ver Mulherzinhas na Amazon → Ao comprar pelo link acima, você apoia o nosso trabalho sem pagar nada a mais por isso.

Quem foi Louisa May Alcott?

Retrato de Louisa May Alcott Louisa May Alcott, autora de Mulherzinhas

Louisa May Alcott nasceu em 1832 em Germantown, na Pensilvânia, e cresceu em Concord, Massachusetts. Filha do educador transcendentalista Amos Bronson Alcott e da ativista Abigail May, conviveu desde a infância com intelectuais como Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau, vizinhos da família.

Como o pai tinha dificuldade para sustentar a casa, Louisa trabalhou cedo como professora, costureira, governanta e empregada doméstica. Durante a Guerra Civil, serviu seis semanas como enfermeira voluntária num hospital em Georgetown, perto de Washington, até adoecer de febre tifoide. As cartas desse período viraram Hospital Sketches (1863), seu primeiro sucesso.

Para ganhar dinheiro, também publicou contos de suspense e melodramas sob o pseudônimo A. M. Barnard. A consagração veio com Mulherzinhas, inspirado na própria família, que lhe deu independência financeira. Defensora do abolicionismo e do voto feminino, morreu em Boston em 1888, dois dias depois do pai.

OrigemGermantown, Pensilvânia (1832–1888)
FormaçãoEducada em casa, no círculo transcendentalista de Concord
MarcoMulherzinhas (1868–1869)
Marca registradaRetrato doméstico realista e defesa da independência feminina

Os livros de Louisa May Alcott

A edição da Zahar já inclui as duas partes do romance (a segunda saiu em inglês como Good Wives). A história da família March continua em mais dois livros.

Capa do livro Homenzinhos, de Louisa May Alcott 1871 · A continuação em Plumfield

Homenzinhos

Jo, já adulta, dirige Plumfield, uma escola-lar para meninos de origens variadas, com métodos de ensino pouco convencionais para a época. Título original: Little Men.

Para continuar com a família March.

Ver na Amazon → Compra pelo link apoia o site, sem custo extra para você.
Capa do livro Os Rapazes de Jo, de Louisa May Alcott 1886 · O encerramento da saga

Os Rapazes de Jo

Dez anos depois, os antigos alunos de Plumfield enfrentam a vida adulta, a faculdade e as escolhas profissionais. Título original: Jo's Boys. Algumas edições brasileiras usam o título Jo e os Rapazes.

O último capítulo da história das March.

Ver na Amazon → Compra pelo link apoia o site, sem custo extra para você.

5 curiosidades sobre o livro e Louisa May Alcott

  1. Alcott escreveu o livro a pedido do editor Thomas Niles, que queria uma história para meninas. Ela duvidava que conseguiria e achou os primeiros capítulos sem graça.
  2. Jo March foi inspirada na própria autora, e as outras irmãs, nas irmãs de Louisa: Anna, Elizabeth e May.
  3. Louisa nunca se casou e resistiu à pressão dos leitores, que escreviam cartas pedindo um par romântico específico para Jo.
  4. O tratamento da febre tifoide, feito com um remédio à base de mercúrio, provavelmente afetou a saúde da autora pelo resto da vida.
  5. Em 1879, foi a primeira mulher a se registrar para votar em Concord, numa eleição para o conselho escolar.

Leve Mulherzinhas para a sua estante

Uma edição caprichada, com notas e ilustrações, para ler e guardar.

Ver Mulherzinhas na Amazon → Ao comprar pelo link, você apoia o nosso trabalho sem pagar nada a mais por isso.

Outras resenhas para a sua estante