A interpretação dos sonhos

Sigmund Freud Publicado em 1900 (lançado no fim de 1899)

★★★★☆ Nota 4,5/5 · O livro que fundou a psicanálise
Psicanálise Psicologia Clássico História das Ideias
Capa do livro A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud

Sobre o que é o livro

Quando Freud escreveu o livro, a maior parte dos médicos via os sonhos como ruído do cérebro adormecido, e a interpretação de sonhos era coisa de superstição. Freud propõe o contrário: todo sonho tem sentido e é, no fundo, a realização disfarçada de um desejo. Por isso ele o chama de caminho privilegiado para o inconsciente.

Para defender a tese, analisa dezenas de sonhos, de pacientes e dele próprio, como o famoso sonho da injeção de Irma. Distingue o conteúdo manifesto (a história que a pessoa lembra) do conteúdo latente (o desejo escondido) e descreve o trabalho do sonho, os mecanismos que fazem a tradução entre um e outro, como a condensação, o deslocamento e a representação por imagens. O último capítulo vai além dos sonhos e apresenta um primeiro modelo do aparelho psíquico.

Nossa resenha

É um livro que mudou a cultura, e dá para sentir por quê. A forma como Freud desmonta um sonho aparentemente banal e encontra por trás dele conflitos, invejas e ambições é fascinante, quase como ler um detetive trabalhando. Mesmo quem discorda da psicanálise sai da leitura pensando nos próprios sonhos de outro jeito.

Mas não é leitura fácil. O primeiro capítulo é uma revisão longa da literatura médica do século XIX, que afasta muita gente logo de cara, e várias análises se estendem por páginas sobre detalhes mínimos. A tese de que todo sonho realiza um desejo também soa forçada em muitos casos, e o próprio Freud a revisou anos depois, ao tratar dos pesadelos repetitivos de pessoas traumatizadas.

Hoje a neurociência explica o sono e os sonhos de outras formas, e muitas afirmações do livro não se sustentam como ciência. Isso não diminui sua importância histórica. É o texto em que Freud organiza pela primeira vez a ideia de inconsciente, e continua indispensável para entender a psicanálise e boa parte do pensamento do século XX.

Para quem é: estudantes de psicologia, psicanálise, filosofia e história das ideias, e para leitores curiosos com paciência para um texto denso. Não é para quem procura um dicionário de símbolos dos sonhos ou uma leitura rápida. Uma dica: muita gente prefere começar pelo capítulo 2, com a análise do sonho de Irma, e voltar ao primeiro depois.

Para Freud, o sonho que parece absurdo é só um texto escrito em código. O trabalho é aprender a lê-lo.

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Quem foi Sigmund Freud?

Retrato de Sigmund Freud Sigmund Freud, autor de A Interpretação dos Sonhos

Sigmund Freud nasceu em 1856 em Freiberg, na Morávia, então parte do Império Austríaco e hoje cidade de Příbor, na República Tcheca. A família se mudou para Viena quando ele era criança, e foi lá que viveu quase toda a vida. Formou-se em medicina pela Universidade de Viena e começou a carreira como neurologista.

Insatisfeito com os tratamentos da época para a histeria e outras neuroses, estudou hipnose com Jean-Martin Charcot em Paris e trabalhou com o médico Josef Breuer. Aos poucos, trocou a hipnose pela associação livre, em que o paciente fala o que vier à mente. Nascia a psicanálise.

Escreveu sobre sexualidade, cultura, religião e a estrutura da mente, e reuniu seguidores e dissidentes, como Adler e Jung. Em 1938, com a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, fugiu com a família para Londres, onde morreu em setembro de 1939.

OrigemFreiberg, Morávia (atual Příbor, República Tcheca)
FormaçãoMedicina pela Universidade de Viena
MarcoCriação da psicanálise
Marca registradaAssociação livre, interpretação dos sonhos e dos atos falhos

Outros livros de Sigmund Freud

Capa do livro Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, de Sigmund Freud 1905 · A sexualidade desde a infância

Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade

Defende que a sexualidade não começa na puberdade, mas se desenvolve desde a infância e ajuda a formar a estrutura psíquica do adulto. Foi uma das obras mais polêmicas do autor.

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Capa do livro O Ego e o Id, de Sigmund Freud 1923 · Id, ego e superego

O Ego e o Id

Apresenta a divisão da mente em id, ego e superego, que substituiu o modelo apresentado em A Interpretação dos Sonhos. Algumas traduções recentes usam o título O Eu e o Id.

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Capa do livro O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud 1930 · Indivíduo contra sociedade

O Mal-Estar na Civilização

Freud analisa por que a busca pela felicidade entra em choque com as exigências da vida em sociedade, que pede a renúncia a parte dos nossos impulsos.

O Freud mais filosófico e mais acessível.

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5 curiosidades sobre A Interpretação dos Sonhos

  1. O livro saiu em novembro de 1899, mas a editora datou a primeira edição de 1900, marcando a virada do século.
  2. A primeira tiragem tinha 600 exemplares, que levaram cerca de oito anos para se esgotar.
  3. Freud escreveu no prefácio da segunda edição que o livro era parte da sua autoanálise, uma reação à morte do pai, em 1896.
  4. A epígrafe vem da Eneida, de Virgílio: Flectere si nequeo superos, Acheronta movebo, algo como "se não posso dobrar os deuses do céu, moverei os do inferno".
  5. Freud foi indicado várias vezes ao Nobel e nunca venceu, mas recebeu o Prêmio Goethe, de literatura, em 1930.

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