É Assim Que Começa
Colleen Hoover It Starts with Us · Publicado em 2022
★★★★★ a continuação que os leitores imploraram — e o respiro que Lily merecia
Romance contemporâneo
Continuação direta
Recomeço
Segunda chance
Sobre o que é o livro
A história recomeça exatamente onde É Assim Que Acaba parou — literalmente na cena seguinte. Lily Bloom reconstruiu a vida: toca a floricultura, divide a guarda da pequena Emerson com o ex-marido e reencontra, num esbarrão de rua, Atlas Corrigan — o primeiro amor, o menino do casaco marrom, agora chef dono de restaurante em Boston. O que era para ser um recomeço leve, porém, precisa acontecer sob a sombra de Ryle: coparentar com o homem de quem ela teve a coragem de se divorciar é um jogo diário de limites, medo e firmeza.
A grande novidade está na estrutura: pela primeira vez, Atlas ganha voz. Os capítulos alternam os pontos de vista de Lily e dele, e é pelo olhar de Atlas que conhecemos as feridas da própria história — a mãe que o abandonou e um garoto que surge batendo à porta do seu restaurante trazendo o passado junto. Enquanto Lily aprende a se proteger sem abrir mão da própria felicidade, Atlas descobre que a família que ele não teve talvez ainda possa ser construída.
Nossa resenha
É Assim Que Começa é um livro escrito de presente para o leitor — e não esconde isso. Depois do soco emocional do primeiro volume, Colleen Hoover entrega aqui o capítulo que faltava: mais quente, mais leve, cheio daquela troca de bilhetes e memórias entre Lily e Atlas que os fãs esperaram seis anos para ler. Quem chorou com "just keep swimming" vai encontrar a recompensa; a autora sabe exatamente quais cordas está tocando.
Mas seria injusto reduzir o livro a fanservice. A parte mais forte da narrativa é o retrato da vida depois da decisão difícil: Hoover mostra que sair de um relacionamento abusivo não encerra o problema quando existe um filho no meio — as cenas de Lily administrando a convivência com Ryle, oscilando entre culpa, pavor e firmeza, são as mais verdadeiras do romance. O contraponto é o tom: sem a tensão devastadora do primeiro livro, a trama é mais previsível e alguns conflitos se resolvem fácil demais. É uma escolha consciente da autora — este é o livro da cura, não o da ferida — mas quem esperar a mesma intensidade pode estranhar o ritmo.
Para quem é: obrigatório para quem leu É Assim Que Acaba e precisa do desfecho — e só para esses leitores. A história depende inteiramente do primeiro volume: começar por aqui estraga as duas experiências. Se você ainda não leu o antecessor, guarde esta página nos favoritos e comece por ele logo abaixo.
Se o primeiro livro era sobre ter coragem de encerrar um ciclo, este é sobre a coragem — menos comentada, igualmente difícil — de se permitir recomeçar.
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