Você Pode Curar Sua Vida
Louise L. Hay Publicado em 1984 · Edição brasileira: Best Seller
★★★☆☆ Nota 3,2/5 · Clássico da autoajuda, com ressalvas importantes
Autoajuda
Autoestima
Espiritualidade
Sobre o que é o livro
Louise Hay parte de uma ideia central: aquilo que acreditamos sobre nós mesmos se torna verdade na nossa vida. Para ela, ressentimento, culpa, medo e autocrítica estão por trás de problemas afetivos, financeiros e até de doenças físicas, e mudar esses padrões de pensamento mudaria a vida.
O livro foi escrito como se o leitor estivesse numa sessão com a autora. Ela propõe exercícios de perdão, afirmações positivas repetidas todos os dias e o trabalho com o espelho, em que a pessoa olha para o próprio reflexo e diz frases de carinho e aprovação. No final, traz uma lista de doenças associadas a supostas causas emocionais, com uma afirmação para cada uma.
Nossa resenha
É fácil entender por que o livro vendeu dezenas de milhões de exemplares. Louise Hay escreve de forma calorosa e simples, e muita gente encontrou ali, pela primeira vez, a permissão para gostar de si mesma. Os exercícios de autocompaixão, perdão e combate à autocrítica podem, sim, ajudar quem vive se cobrando demais.
O problema está na parte sobre saúde. A ideia de que cada doença tem uma causa emocional específica, e de que pensamentos podem curá-la, não tem base científica. Levada ao pé da letra, ela pode fazer a pessoa se sentir culpada por adoecer ou, pior, adiar um tratamento médico. É o ponto mais sério do livro e precisa ser dito com clareza.
Lido como um livro sobre autoestima e perdão, ele tem valor. Lido como guia de saúde, é perigoso. Com essa separação em mente, dá para aproveitar o que ele tem de bom.
Para quem é: quem quer trabalhar autoestima, autocrítica e perdão com exercícios simples e uma linguagem acolhedora. Não deve ser usado como substituto de acompanhamento médico ou psicológico, e não é indicado para quem procura explicações com base em evidências sobre a origem das doenças.
Cuidar da forma como falamos com nós mesmos faz diferença. Tratar uma doença continua sendo trabalho da medicina.