A guerra da arte
Steven Pressfield Publicado em 2002
★★★★☆ Nota 4,3/5 · Um manual contra a autossabotagem
Desenvolvimento Pessoal
Criatividade
Escrita e Arte
Produtividade
Sobre o que é o livro
Todo mundo que já tentou escrever um livro, abrir um negócio, começar uma dieta ou voltar a estudar conhece a força que aparece nesse momento: a vontade súbita de arrumar a gaveta, checar o celular, deixar para amanhã. Steven Pressfield dá um nome a ela, Resistência, e a trata como um inimigo real, que surge sempre que a gente tenta algo que importa a longo prazo.
O livro, curtíssimo e dividido em capítulos de uma ou duas páginas, tem três partes. A primeira descreve os disfarces da Resistência, como a procrastinação, a busca por dramas, o perfeccionismo e até a autoajuda usada como fuga. A segunda propõe a saída: parar de agir como amador, que trabalha quando tem vontade, e passar a agir como profissional, que aparece todo dia. A terceira fala da inspiração, que para Pressfield vem de um plano superior (musas, anjos, o inconsciente) e só chega para quem está trabalhando.
Nossa resenha
Pressfield acerta em cheio no diagnóstico. Chamar a autossabotagem de Resistência parece só um truque retórico, mas funciona: em vez de concluir que você não tem talento ou disciplina, passa a enxergar a hesitação como algo esperado, que pode ser enfrentado. A lista de comportamentos de amador versus profissional é o trecho mais citado do livro por um motivo: é prática, direta e dá vergonha de tão verdadeira.
A terceira parte divide os leitores. Quem gosta de uma leitura espiritual vai achar bonita a ideia de musas e anjos ajudando quem trabalha. Quem esperava um texto racional vai sentir que o livro mudou de gênero no meio do caminho. Também incomoda a visão quase militar do trabalho: cansaço, luto e esgotamento aparecem pouco, e toda hesitação corre o risco de virar fraqueza de caráter.
Ainda assim, é um livro que dá para ler numa tarde e reler a cada bloqueio. Ele não traz técnica nova nem sistema de produtividade. O valor está na insistência em uma única ideia: sentar e trabalhar, todos os dias, com ou sem vontade.
Para quem é: escritores, artistas, empreendedores e qualquer pessoa que vive adiando o projeto que mais importa. Não é para quem busca embasamento em pesquisa psicológica ou se incomoda com linguagem espiritual e tom de sermão.
O amador espera a inspiração. O profissional senta para trabalhar e deixa que ela o encontre no meio do caminho.
Para ler numa tarde e reler toda vez que o bloqueio aparecer.
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