A Revolução dos Bichos

George Orwell Publicado em 1945

★★★★☆ Uma fábula curta sobre como o poder corrompe
Sátira política Fábula alegórica Clássico Edição BR: Companhia das Letras
Capa do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Sobre o que é o livro

Cansados de trabalhar muito e comer pouco, os animais de uma granja inglesa expulsam o dono, o sr. Jones, e assumem o controle da propriedade. A revolta nasce de um sonho coletivo: uma sociedade sem donos, em que o fruto do trabalho pertença a todos. Os porcos, tidos como os mais inteligentes, organizam a nova ordem e resumem seus princípios em sete mandamentos pintados na parede do celeiro.

O entusiasmo dura pouco. A disputa entre os porcos Napoleão e Bola-de-Neve termina com um deles expulso, e o vencedor passa a governar com a ajuda de cães de guarda e de um porta-voz hábil em justificar o injustificável. Os mandamentos são reescritos às escondidas, os privilégios se acumulam no topo e os demais bichos acabam trabalhando mais do que na época do fazendeiro. Orwell construiu a história como alegoria da Revolução Russa e da ascensão de Stálin.

Nossa resenha

O maior mérito do livro é tornar compreensível, em pouco mais de cem páginas, o funcionamento de uma ditadura. Orwell não precisa de discursos: basta mostrar uma regra que muda de redação, um número de produção inflado, um passado recontado até que ninguém tenha certeza do que viveu. A propaganda aparece como a engrenagem central do poder, e é por isso que a sátira continua atual.

A forma de fábula cobra seu preço. Os personagens são tipos, cada animal representa um grupo social ou uma figura histórica, e quem conhece o básico do século XX adivinha para onde a trama vai. Não há ambiguidade psicológica nem surpresa narrativa; a força do livro está na clareza.

Mesmo assim, a leitura não se esgota na história soviética. O livro fala de qualquer movimento que promete libertação total e pede, em troca, obediência sem perguntas. A apatia dos bichos que não sabem ler e a lealdade do cavalo que resolve tudo trabalhando mais pesam tanto quanto a esperteza dos porcos.

Para quem é: quem quer entender como funcionam a manipulação política e o autoritarismo por meio de uma narrativa curta e direta. É uma ótima primeira leitura de Orwell e funciona bem em sala de aula. Quem procura personagens complexos ou reviravoltas vai achar o tom alegórico previsível.

Toda revolução corre o risco de virar tirania quando quem controla a linguagem passa a controlar também a memória.

Curto e certeiro: vale a leitura para entender como o discurso político molda a realidade.

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Quem foi George Orwell?

Retrato de George Orwell George Orwell, autor de A Revolução dos Bichos

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, nascido em 1903 em Motihari, na Índia britânica, e criado na Inglaterra. Estudou em Eton como bolsista e, em vez de seguir para a universidade, entrou para a Polícia Imperial Indiana na Birmânia (atual Mianmar), onde serviu de 1922 a 1927. A experiência o deixou com aversão ao colonialismo e a qualquer poder exercido sem prestar contas.

De volta à Europa, viveu entre trabalhadores pobres e desempregados em Paris e Londres, material do seu primeiro livro. Em 1936 foi para a Espanha e lutou contra as tropas de Franco numa milícia do POUM. Ali presenciou a perseguição movida pelos comunistas alinhados a Moscou contra outros grupos de esquerda, episódio que moldou sua desconfiança do totalitarismo de qualquer lado.

Jornalista, ensaísta e romancista, dedicou os últimos anos a duas ficções sobre o controle do Estado e da verdade: A Revolução dos Bichos e 1984. Morreu de tuberculose em Londres, em janeiro de 1950, aos 46 anos.

OrigemMotihari, Índia britânica (1903–1950)
FormaçãoEton College, como bolsista
MarcoA Revolução dos Bichos (1945) e 1984 (1949)
Marca registradaProsa clara e crítica ao autoritarismo

Os livros de George Orwell

Capa do livro 1984, de George Orwell 1949 · O clássico sobre vigilância estatal

1984

Winston Smith trabalha reescrevendo o passado no Ministério da Verdade de um Estado que vigia tudo, até o pensamento. É o desdobramento natural das ideias de A Revolução dos Bichos, num tom bem mais sombrio. No Brasil, a edição de referência é a da Companhia das Letras.

O romance que definiu a palavra “orwelliano”.

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Capa do livro Lutando na Espanha, de George Orwell 1938 · Memórias da Guerra Civil Espanhola

Lutando na Espanha

Relato dos meses que Orwell passou nas trincheiras do POUM durante a Guerra Civil Espanhola. A edição da Globo Livros reúne Homenagem à Catalunha, o livro principal, e o ensaio Recordando a Guerra Civil Espanhola.

A experiência que moldou a visão política do autor.

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Capa do livro Na Pior em Paris e Londres, de George Orwell 1933 · A estreia com o pseudônimo Orwell

Na Pior em Paris e Londres

Primeiro livro assinado como George Orwell. Ele conta seus meses como lavador de pratos em hotéis e restaurantes de Paris e como andarilho nos albergues de Londres, num retrato cru da pobreza urbana.

Conheça o lado repórter do escritor.

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5 curiosidades sobre o livro e George Orwell

  1. O livro foi recusado por várias editoras. Com a União Soviética aliada ao Reino Unido na guerra, criticar Stálin parecia inoportuno. Uma das recusas veio de T. S. Eliot, então editor da Faber & Faber.
  2. O subtítulo original é Um conto de fadas (A Fairy Story).
  3. Orwell escreveu um prefácio sobre a liberdade de imprensa que ficou de fora da primeira edição e só foi publicado em 1972.
  4. Na Espanha, levou um tiro de franco-atirador no pescoço e sobreviveu.
  5. No Brasil, a obra entrou em domínio público em 2021, 70 anos após a morte do autor. Por isso há tantas edições diferentes nas livrarias.

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