Cartas de um Diabo a seu Aprendiz

C. S. Lewis Publicado em 1942

★★★★★ o clássico mais espirituoso da literatura cristã
Sátira Romance epistolar Espiritualidade Clássico do século XX
Capa do livro Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, de C. S. Lewis

Sobre o que é o livro

Imagine interceptar a correspondência do inferno. É exatamente isso que Lewis nos entrega: 31 cartas escritas por um demônio veterano e burocrata, alto funcionário da "Repartição" infernal, ao sobrinho iniciante que acaba de receber seu primeiro "paciente" — um jovem inglês comum, vivendo em Londres durante a Segunda Guerra. A missão do aprendiz é simples no papel: conduzir a alma do rapaz, com paciência e método, para longe do "Inimigo" (como o tio se refere a Deus).

Carta após carta, o tio ensina as técnicas da casa — e é aqui que o livro vira um espelho desconfortável. As armas sugeridas nunca são grandes catástrofes ou tentações cinematográficas: são o orgulho disfarçado de humildade, a irritação com a mãe na mesa do café, a vaidade espiritual, a procrastinação, o hábito de rezar olhando para si mesmo. Lendo os conselhos do demônio, o leitor se pega reconhecendo as próprias manhas — e é exatamente esse o plano de Lewis.

Nossa resenha

Poucos livros conseguem ser tão engraçados e tão incômodos ao mesmo tempo. A grande sacada de Cartas de um Diabo a seu Aprendiz é a inversão de perspectiva: ao mostrar a vida espiritual pelos olhos de quem quer destruí-la, Lewis ilumina o que sermões diretos raramente alcançam. O tio demônio é um narrador irresistível — pedante, corporativo, cheio de jargão de repartição — e sua voz sarcástica transforma teologia em comédia de costumes sobre o mal cotidiano.

O que mais impressiona é a atualidade. As cartas falam de distração, de opinião alheia, de tribalismo, de fé transformada em pose — tudo escrito nos anos 1940 e soando como diagnóstico das redes sociais. E, embaixo do humor, há um argumento sério que atravessa o livro inteiro: a perdição raramente chega com estardalhaço; ela prefere o caminho gradual, das pequenas concessões diárias que ninguém percebe.

Para quem é: leitores de espiritualidade que gostam de inteligência e humor; fãs de Nárnia curiosos pelo Lewis adulto; e qualquer pessoa que aprecie sátira afiada — crente ou não, é impossível sair ileso. Os capítulos curtos (cada carta tem poucas páginas) tornam a leitura perfeita para o dia a dia.

Um manual de tentação lido às avessas: ensinando o vício com tanta precisão, Lewis acaba entregando um dos retratos mais certeiros da virtude.

Ficou com vontade de ler a correspondência do inferno? O livro está disponível em edição física e digital:

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Leia um trecho de Cartas de um Diabo a seu Aprendiz

Quer conhecer as primeiras páginas antes de decidir? Confira a prévia de Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, de C. S. Lewis.

Quem foi C. S. Lewis?

Retrato do escritor C. S. Lewis Retrato de C. S. Lewis (fotógrafo desconhecido)

Clive Staples Lewis (1898–1963) nasceu em Belfast, na Irlanda do Norte, e construiu a vida entre livros — primeiro como leitor voraz na biblioteca da família, depois como professor de literatura medieval e renascentista em Oxford e Cambridge, onde se tornou um dos acadêmicos mais respeitados de sua geração. Os amigos e a família nunca o chamaram de Clive: desde criança, ele mesmo decidiu que seu nome era "Jack".

Sua trajetória espiritual é parte inseparável da obra. Ateu convicto na juventude, marcado pela morte precoce da mãe e pelas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, Lewis se converteu ao cristianismo já adulto, em um processo longo no qual as conversas com o amigo J. R. R. Tolkien tiveram papel decisivo. Dessa virada nasceu o escritor que o mundo conhece: o apologista capaz de explicar a fé com lógica e bom humor, e o fabulista que criou Nárnia, uma das séries mais lidas de todos os tempos, com mais de 100 milhões de exemplares vendidos.

Durante a Segunda Guerra, suas palestras de rádio na BBC consolaram um país sob bombardeio e deram origem a Cristianismo Puro e Simples. Na mesma época, publicou Cartas de um Diabo a seu Aprendiz — dedicado a Tolkien —, o livro que o colocou na capa da revista Time em 1947. Lewis morreu em 22 de novembro de 1963, uma semana antes de completar 65 anos, deixando uma obra que não parou mais de ser lida, estudada e adaptada.

OrigemNascido em Belfast (1898); fez carreira nas universidades de Oxford e Cambridge.
FormaçãoProfessor de literatura medieval; veterano da Primeira Guerra Mundial.
ConsagraçãoAs Crônicas de Nárnia: mais de 100 milhões de exemplares em dezenas de idiomas.
Marca registradaFé explicada com lógica, imaginação e um humor britânico afiadíssimo.

Os grandes sucessos de C. S. Lewis

Gostou das cartas do velho diabo? A obra de Lewis tem portas para todos os perfis de leitor — da fantasia à filosofia, do consolo ao riso. Aqui estão os títulos essenciais para continuar.

1950–1956 · Fantasia · 7 volumes

As Crônicas de Nárnia

Capa de As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis

A obra-prima que apresentou Lewis a gerações inteiras. Tudo começa quando quatro irmãos atravessam um guarda-roupa e chegam a um mundo congelado por uma feiticeira — e encontram Aslam, o leão que canta mundos à existência. Sob a aventura, correm as grandes perguntas de toda a obra do autor: coragem, sacrifício, perdão e o desejo de um país que ainda não conhecemos. Funciona aos 8 e aos 80 anos, e a cada releitura revela uma camada nova.

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1952 · Apologética · Das palestras da BBC

Cristianismo Puro e Simples

Capa do livro Cristianismo Puro e Simples, de C. S. Lewis

Nascido das palestras que Lewis fez no rádio da BBC durante a Segunda Guerra, é considerado por muitos o livro de apologética mais influente do século XX. Sem jargão e sem denominação, o autor parte do senso comum — a nossa noção universal de justiça — e constrói, passo a passo, o argumento pela fé cristã. É o Lewis professor em sua melhor forma: claro, honesto com as objeções e sempre respeitoso com o leitor que discorda.

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1945 · Fábula sobre o céu e o inferno

O Grande Divórcio

Capa do livro O Grande Divórcio, de C. S. Lewis

O par perfeito para Cartas de um Diabo. Aqui, um ônibus fantástico leva os habitantes de uma cidade cinzenta — o inferno, ou algo muito parecido — para uma excursão ao céu, onde cada passageiro recebe a chance de ficar. O detalhe genial: quase todos recusam, e os motivos de cada um são pequenas obras-primas de autoengano. Uma fábula curta, estranha e inesquecível sobre as correntes que nós mesmos escolhemos.

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1940 · Ensaio · A pergunta mais difícil

O Problema da Dor

Capa do livro O Problema da Dor, de C. S. Lewis

Se Deus é bom e todo-poderoso, por que o sofrimento existe? Lewis encara de frente a objeção mais antiga à fé — a mesma que o manteve ateu por anos — e responde com a combinação que só ele tinha: rigor filosófico, humildade e frases que parecem talhadas em pedra. Não é um livro de respostas fáceis; é um livro que leva a pergunta a sério. Décadas depois, continua sendo a porta de entrada clássica para o tema.

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1960 · Ensaio sobre afeto, amizade, eros e caridade

Os Quatro Amores

Capa do livro Os Quatro Amores, de C. S. Lewis

Partindo dos quatro termos gregos para o amor — afeto, amizade, eros e caridade —, Lewis disseca como cada forma de amar nos eleva e, quando desordenada, nos aprisiona. O capítulo sobre amizade é citado até hoje como um dos textos mais bonitos já escritos sobre o tema. Um livro pequeno no tamanho e enorme no efeito: é daqueles que mudam a forma como você enxerga as pessoas ao redor.

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1955 · Autobiografia espiritual

Surpreendido pela Alegria

Capa do livro Surpreendido pela Alegria, de C. S. Lewis

A história por trás de tudo, contada pelo próprio Lewis: a infância em Belfast, a morte da mãe, os internatos, as trincheiras da Primeira Guerra, o ateísmo combativo em Oxford — e os lampejos de um anseio inexplicável, que ele chamava de Alegria, que o perseguiram até a conversão. Parte memória, parte investigação filosófica, é o livro para quem quer conhecer o homem por trás do autor.

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7 curiosidades sobre C. S. Lewis

  1. Ele batizou a si mesmo de "Jack". Aos quatro anos, após a morte do cachorro Jacksie, o pequeno Clive anunciou que a partir dali atenderia apenas por esse nome — e assim foi, para amigos e família, a vida inteira.
  2. Tolkien foi peça-chave na sua conversão. Uma longa conversa noturna com o autor de O Senhor dos Anéis, em 1931, foi decisiva para Lewis abraçar o cristianismo — e os dois se liam e criticavam mutuamente no grupo literário dos Inklings, em Oxford.
  3. Cartas de um Diabo é dedicado a Tolkien. O livro saiu primeiro em capítulos num jornal anglicano, em 1941, e fez tanto sucesso que colocou Lewis na capa da revista Time em 1947 — com um diabinho desenhado no ombro.
  4. Ele odiou escrever o próprio livro. Lewis contou que produzir as cartas foi sufocante: manter a mente "torcida" na lógica infernal, dizia ele, era fácil demais de fazer e desagradável demais de sustentar. Por isso recusou durante anos os pedidos de continuação.
  5. A voz do consolo na guerra. Durante os bombardeios da Segunda Guerra, suas palestras na BBC fizeram dele uma das vozes mais reconhecidas do rádio britânico — o material virou Cristianismo Puro e Simples.
  6. Nárnia começou com uma imagem, não com um plano. Desde os 16 anos, Lewis carregava na cabeça a cena de um fauno de guarda-chuva andando na neve. Décadas depois, ela virou a primeira porta de entrada para Nárnia.
  7. Sua morte passou quase despercebida. Lewis morreu em 22 de novembro de 1963 — o mesmo dia do assassinato de John F. Kennedy e da morte de Aldous Huxley. O mundo só foi se dar conta da perda dias depois.

Qual livro de C. S. Lewis ler primeiro?

A obra de Lewis tem várias portas de entrada — e todas levam ao mesmo autor genial. Escolha pelo seu momento:

  • Quer inteligência com humor? Comece por Cartas de um Diabo a seu Aprendiz — capítulos curtos, sátira afiada e o Lewis mais acessível.
  • Prefere história e fantasia? Vá de As Crônicas de Nárnia — pela ordem de publicação, começando por O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
  • Busca o pensamento do autor? Cristianismo Puro e Simples é o ponto de partida clássico da sua obra de ideias.
  • Gostou do tom das Cartas? O Grande Divórcio é o irmão espiritual delas — outra fábula curta sobre as escolhas que nos prendem.
  • Passando por um momento difícil? O Problema da Dor encara o sofrimento de frente, com honestidade rara.
  • Quer conhecer o homem? Surpreendido pela Alegria conta a própria história de Lewis, da infância à conversão.

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